A Nissan apresentou na Tailândia uma nova configuração do Kicks equipada com o sistema híbrido e-Power, tecnologia que altera de forma significativa o conceito mecânico do SUV compacto e que pode chegar ao Brasil nos próximos ciclos de produto.

O modelo vendido no mercado asiático é tecnicamente o mesmo projeto que deu origem ao SUV conhecido no Brasil como Kait, porém com uma diferença central: abandona o motor 1.6 aspirado tradicional e adota um conjunto híbrido em série, no qual o motor a combustão não traciona as rodas.
Sistema e-POWER: motor a combustão vira gerador

O grande diferencial do Kicks e-POWER está na arquitetura do conjunto motriz. Diferente dos híbridos convencionais, o SUV utiliza um sistema em série, onde o motor elétrico é o único responsável por mover o carro.
Nesse caso, o conjunto é formado por motor 1.2 três cilindros aspirado (HR12DE) de 79cv que atua exclusivamente como gerador de energia e um motor elétrico de 129cv e 28kgfm de torque. O motor a combustão trabalha em regime constante para recarregar a bateria, sem ligação mecânica com as rodas.

Na prática, o comportamento é semelhante ao de um carro elétrico, com resposta imediata e condução mais linear, enquanto o consumo pode superar 23 km/l em condições ideais.
Diferença em relação ao Kicks/Kait vendido no Brasil

No Brasil, o Kicks — e agora o Kait — utiliza o motor 1.6 aspirado flex, com 113cv e funcionamento convencional com câmbio CVT.
Já a versão e-POWER representa uma ruptura completa já que não há tração direta do motor a combustão. Por isso ele não é híbrido paralelo (como Corolla Cross ou Haval H6) e não precisa de recarga externa (não é plug-in). O carro roda sempre com motor elétrico assim como outros modelos da Nissan já até cotados para o Brasil como o Note.
Nissan nunca lançou e-POWER no Brasil
Apesar de já ter apresentado a tecnologia e-POWER globalmente desde 2017, a Nissan nunca comercializou veículos com esse sistema no mercado brasileiro.
A marca chegou a estudar a produção local do Kicks híbrido em Resende (RJ), mas o projeto foi adiado em diferentes momentos, mantendo o SUV nacional com motorização convencional.
A chegada recente do Kait, derivado do Kicks de primeira geração, reforça que a Nissan segue apostando em soluções de menor custo no curto prazo — ao menos até a viabilidade industrial de eletrificação avançada no país.