A adulteração da quilometragem continua sendo uma das fraudes mais comuns no mercado de veículos usados. Com a ajuda de equipamentos eletrônicos, alguns vendedores conseguem reduzir os números exibidos no painel para valorizar o automóvel e aumentar o preço de venda. O problema é que a prática pode esconder um desgaste muito maior do que o comprador imagina, elevando os custos com manutenção e diminuindo a vida útil do veículo.

Para reduzir os riscos, alguns cuidados simples ajudam a identificar possíveis irregularidades. O AutoShow lista esses cuidados que você pode tomar no Feirão e em qualquer loja ou auto shopping antes de fechar negócio

Histórico de revisões é o primeiro passo
Um dos indícios mais importantes está no histórico de manutenção. Carros revisados em concessionárias ou oficinas organizadas costumam ter registros com datas e quilometragem anotadas. Se um veículo aparece com 50 mil km no painel, mas há uma revisão registrada com 80 mil km há dois anos, há um forte indício de adulteração.

Além do manual carimbado, vale solicitar notas fiscais de serviços e verificar se os números são compatíveis com a idade do automóvel.
Desgaste interno pode denunciar a fraude

O estado de conservação do carro deve ser compatível com a quilometragem anunciada. Pedais muito gastos, volante brilhando excessivamente, bancos deformados, manopla do câmbio desgastada e botões apagados podem indicar uso intenso.

Um carro com supostos 30 mil km, por exemplo, dificilmente apresentará sinais de desgaste semelhantes aos de um veículo que já percorreu mais de 100 mil km.
Consulte o histórico em empresas especializadas

Empresas que emitem laudos cautelares também fornecem informações sobre passagens por leilão, sinistros e registros de quilometragem em vistorias anteriores.

Esses dados podem mostrar se houve uma redução suspeita da marcação ao longo dos anos. Em muitos casos, a diferença entre os registros antigos e a quilometragem atual é suficiente para revelar a fraude.
Atenção às informações do scanner

Nos carros mais modernos, a quilometragem pode estar armazenada em diferentes módulos eletrônicos além do painel de instrumentos. Um diagnóstico por scanner pode identificar divergências entre os sistemas, apontando alterações indevidas.

Por isso, é recomendável levar o veículo a uma oficina especializada ou contratar uma vistoria cautelar antes de fechar negócio.

Desconfie de preços muito baixos
Ofertas muito abaixo do valor de mercado merecem atenção. Veículos anunciados como “único dono”, “carro de garagem” ou “pouquíssimo rodado” devem ter todas essas características comprovadas por documentos e histórico de manutenção.

A tabela Fipe serve como referência, mas valores excessivamente baixos podem esconder problemas estruturais, passagem por leilão ou mesmo adulteração da quilometragem.

Compare a média de uso anual
No Brasil, a média de utilização de um automóvel fica entre 10 mil e 15 mil quilômetros por ano. Assim, um carro com oito anos de uso e apenas 25 mil km exige uma análise mais criteriosa.
Existem exceções, mas uma quilometragem muito baixa para a idade do veículo deve ser encarada com cautela e acompanhada por documentação que comprove essa condição.
Faça uma vistoria antes de assinar

A melhor maneira de evitar prejuízos é investir em uma inspeção profissional. Um laudo cautelar pode identificar sinais de adulteração, reparos estruturais e outras informações importantes para uma compra segura.

Mais importante do que encontrar um carro com baixa quilometragem é adquirir um veículo com histórico transparente e manutenção em dia. Um automóvel com 100 mil km bem cuidados costuma ser uma opção mais segura do que outro com números aparentemente baixos, mas com a quilometragem alterada.