A entrada em vigor do programaama Move Brasil Táxi e Aplicativos provocou uma nova rodada de reduções de preços entre os carros elétricos vendidos no país. Para se enquadrar nas regras do programa federal, montadoras passaram a oferecer descontos específicos para taxistas e motoristas de aplicativo, ampliando a concorrência em um segmento que vem ganhando importância para quem busca reduzir o custo por quilômetro rodado.

O programa, operado por meio de recursos do BNDES, disponibiliza até R$ 30 bilhões em crédito para renovação da frota de transporte individual de passageiros. Os veículos elegíveis precisam custar até R$ 150 mil e utilizar tecnologias consideradas mais eficientes, como sistemas elétricos, híbridos a etanol ou conjuntos flex.

Exigências do programa
Entre as exigências, motoristas de aplicativo devem possuir cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma e comprovar um mínimo de 100 corridas realizadas nesse período. Já os taxistas precisam manter licenças e registros regulares junto aos órgãos competentes.

Descontos oferecidos
A BYD foi uma das fabricantes que mais agressivamente reposicionou seus modelos. O Dolphin GS, que tinha preço público de R$ 149.990, passou a ser oferecido por R$ 139.990 para profissionais enquadrados no programa.

Na modalidade destinada aos taxistas com isenção tributária, o hatch elétrico pode chegar a R$ 129.990. Já o Dolphin Mini GL caiu para R$ 108.990, tornando-se uma das alternativas mais acessíveis para o segmento profissional.

Outra marca que aderiu à estratégia é a GWM. O Ora 03, em versões específicas homologadas para o programa, recebeu descontos de R$ 169,9 mil para R$ 150 mil para se posicionar dentro do teto estabelecido pelo governo, reforçando a disputa no segmento dos compactos elétricos.

A Chevrolet também entrou na concorrência com o Spark EUV. Comercializado originalmente próximo ao limite máximo permitido, o SUV compacto elétrico passou a contar com condições especiais para motoristas profissionais, buscando ampliar a presença da marca em um mercado que vem sendo dominado pelas fabricantes chinesas. O compacto passou a custar R$ 133.291 com descontos para aplicativo e R$ 120 mil para taxista.

A Geely seguiu o mesmo caminho. O EX2, um dos elétricos mais eficientes em custo-benefício do mercado nacional, passou a integrar a lista de modelos elegíveis ao Move Brasil, tornando-se uma alternativa para quem busca baixo custo operacional e preço competitivo. 
O Geely EX Pro passa a custar R$ 99 mil para taxistas e R$ 117.610 para motorista de aplicativo. A versão Max custa R$ 109.396 para taxistas e R$ 129,6 mil para aplicativo.

O movimento mostra como a chegada do programa governamental vem alterando a dinâmica do mercado. Se até pouco tempo os veículos elétricos eram vistos como produtos de nicho, hoje eles começam a ser encarados pelas montadoras como ferramentas de trabalho para taxistas e motoristas de aplicativos.
Além do menor custo de abastecimento, os elétricos oferecem manutenção reduzida e maior previsibilidade de gastos. Por isso, fabricantes como BYD, GWM, Chevrolet e Geely enxergam o Move Brasil como uma oportunidade estratégica para conquistar profissionais que tradicionalmente optavam por modelos compactos a combustão.