A BYD atingiu a marca de 300 mil veículos comercializados no Brasil e consolida uma trajetória que começou há apenas quatro anos. Depois de estrear no segmento de automóveis de passeio com modelos de nicho, a fabricante chinesa se transformou em uma das protagonistas do mercado brasileiro, alcançando a quinta posição no ranking de vendas e construindo uma rede com 200 concessionárias espalhadas pelo país.

O veículo que simbolizou a marca histórica foi um Song Pro entregue ao advogado Andrew Imada, que já possui um sedã híbrido King. Cliente da marca há oito meses, ele afirma já ter percorrido cerca de 27 mil quilômetros e considera a tecnologia híbrida uma solução prática para a rotina intensa.

A trajetória da BYD no país começou em 2022 com a chegada dos elétricos de luxo Han EV e Tan EV. Mas foi a estratégia de ampliar a oferta para segmentos mais acessíveis que mudou o patamar da empresa.

O Dolphin abriu caminho para a popularização dos elétricos e, posteriormente, o Dolphin Mini se transformou em um dos maiores sucessos do segmento, liderando as vendas entre os modelos movidos exclusivamente a bateria.

Ao mesmo tempo, a linha Song ganhou espaço entre os SUVs híbridos médios. As versões Pro, Plus e Premium ajudaram a marca a disputar consumidores que tradicionalmente buscavam modelos de fabricantes japonesas e coreanas. Já o sedã King passou a enfrentar concorrentes tradicionais como Toyota Corolla e Nissan Sentra.
Em 2025, a BYD encerrou o ano com mais de 111 mil veículos emplacados, tornando o Brasil seu principal mercado fora da China. Em 2026, a expansão continuou em ritmo acelerado, levando a empresa ao grupo das cinco maiores montadoras do país.
A fabricante também faz parte do programa Move Brasil, criado para estimular a renovação da frota. Os modelos Dolphin Mini e Dolphin GS integram a iniciativa, voltada principalmente para taxistas e motoristas de aplicativos.
“Um motorista de aplicativo gasta no mínimo R$ 700 por semana com combustível. Com um veículo eletrificado, esse ganho pode chegar a R$ 3 mil ou R$ 4 mil por mês, permitindo inclusive pagar a prestação do veículo”, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil.
Além do crescimento nas vendas, a empresa acelera a expansão comercial. A meta é atingir cerca de 300 concessionárias até o fim de 2026, ampliando a cobertura em praticamente todo o território nacional.
Os investimentos industriais também fazem parte da estratégia. A companhia assumiu o complexo de Camaçari, na Bahia, antiga fábrica da Ford, onde prevê uma capacidade de até 300 mil veículos por ano quando a operação estiver plenamente consolidada. O projeto integra um plano de investimentos superior a R$ 5,5 bilhões e deverá ganhar escala gradualmente.
Nos próximos meses, a BYD pretende ampliar ainda mais sua presença no mercado brasileiro. Entre os lançamentos previstos estão novos híbridos plug-in flex e a inédita picape média Mako, além da chegada de SUVs maiores e modelos com capacidade para sete ocupantes.
Com a diversificação do portfólio e a nacionalização progressiva da produção, a fabricante pretende avançar em segmentos ainda pouco explorados pela marca e ampliar sua participação em um mercado que passa por rápida transformação.