A queda das temperaturas no Sul e no Sudeste faz com que o ar quente volte a ser um aliado dos motoristas nesta época do ano. O recurso aumenta o conforto dentro da cabine, mas o uso inadequado pode provocar desconforto, reduzir a atenção ao volante e até comprometer a qualidade do ar respirado.

Além de escolher corretamente a temperatura, especialistas recomendam cuidados com a ventilação do ambiente e a manutenção preventiva do sistema de climatização. O AutoShow traz essa matéria especial sobre os cuidados com o uso do ar quente no carro.
Excesso de calor dentro da cabine pode prejudicar a concentração

Manter o interior do veículo excessivamente aquecido está entre os erros mais frequentes durante o inverno. O recomendado é trabalhar com temperaturas entre 21°C e 23°C, faixa considerada confortável para a maioria das pessoas.
Quando o ambiente fica muito quente, o organismo tende a relaxar, favorecendo o surgimento de fadiga e sonolência. Em deslocamentos longos, essa condição pode reduzir os reflexos e comprometer a atenção do condutor.
Outro cuidado importante é permitir a renovação do ar periodicamente. Alternar o uso da recirculação interna com a entrada de ar externo ajuda a manter níveis adequados de oxigênio e evita a sensação de abafamento.

Nos veículos equipados com motores a combustão, o aquecimento aproveita o calor gerado pelo próprio funcionamento do propulsor. Por isso, ligar o sistema imediatamente após a partida costuma ser ineficiente, já que o motor ainda não atingiu a temperatura ideal de operação.
Em carros híbridos e elétricos, o aquecimento utiliza resistências elétricas ou sistemas de bomba de calor, oferecendo resposta mais rápida. Ainda assim, permanece a recomendação de evitar regulagens exageradamente altas.

Desligar o ar quente antes do destino reduz o choque térmico
Especialistas também orientam que o aquecimento seja desligado alguns minutos antes da chegada, preferencialmente entre três e cinco minutos.
Essa simples prática ajuda o corpo a se adaptar gradualmente à temperatura externa, diminuindo o impacto térmico ao deixar o veículo. A medida beneficia principalmente crianças, idosos e pessoas com maior sensibilidade às mudanças bruscas de clima.
Outro benefício está na preservação do próprio sistema de ventilação. Com menos umidade acumulada nos dutos, reduz-se a formação de odores desagradáveis e a proliferação de fungos e micro-organismos.
Troca do filtro da cabine é indispensável no inverno

Com janelas fechadas durante boa parte das viagens, a qualidade do ar interno depende diretamente das condições do filtro de cabine.
Quando saturado por poeira, resíduos vegetais e umidade, o componente perde eficiência e pode favorecer a circulação de ácaros, fungos e bactérias, agravando alergias e problemas respiratórios.
A maior parte das fabricantes recomenda a substituição do filtro entre 10 mil e 15 mil quilômetros ou, no máximo, uma vez por ano. Em regiões urbanas com grande concentração de poluentes ou em estradas de terra, a troca pode precisar ser antecipada.

Ar-condicionado também deve ser utilizado nos dias frios
Engana-se quem acredita que o ar-condicionado deve permanecer desligado durante o inverno. O acionamento periódico do compressor ajuda a preservar mangueiras, vedações e componentes internos, evitando ressecamentos e reduzindo o risco de vazamentos.
Nos modelos com climatização automática, o sistema trabalha em conjunto com o aquecimento justamente para controlar a umidade da cabine. Isso evita o embaçamento dos vidros e melhora a visibilidade em dias de chuva ou temperaturas muito baixas.
Assim, a combinação entre manutenção preventiva, temperatura adequada e uso correto dos equipamentos garante não apenas mais conforto, mas também viagens mais seguras durante a estação mais fria do ano.