A McLaren finalmente decidiu entrar no segmento dos SUVs de alto desempenho. Após anos concentrada exclusivamente em supercarros de dois lugares, a fabricante britânica confirmou que está desenvolvendo seu primeiro utilitário esportivo, seguindo um caminho já explorado com sucesso por Porsche, Lamborghini, Ferrari e Aston Martin.
O projeto faz parte de um investimento de 500 milhões de libras, cerca de R$ 3,6 bilhões em conversão direta, destinado à ampliação das atividades de engenharia e produção da McLaren no Reino Unido. O plano prevê uma nova fábrica de veículos, expansão das instalações de Woking e South Yorkshire e a criação de pelo menos mil empregos até 2032.

A fabricante não revelou o nome, o desenho ou os dados técnicos definitivos do futuro SUV. Oficialmente, a McLaren se limita a chamá-lo de “SUV de desempenho”. Informações antecipadas à rede de concessionários, no entanto, indicam que o projeto é conhecido internamente pelo código P47 e poderá chegar ao mercado em 2028.

O modelo representará várias quebras de tradição para a marca. Será o primeiro McLaren com quatro portas, cinco lugares e uma carroceria realmente voltada ao uso familiar. A tração integral também deverá fazer parte do conjunto, algo necessário para administrar a elevada potência e oferecer estabilidade em diferentes condições de uso.
V8 híbrido deve passar dos 700 cv

A motorização ainda não foi confirmada, mas o futuro SUV é cotado para utilizar um sistema híbrido baseado em um motor V8 biturbo. Diferentemente de um híbrido plug-in preocupado prioritariamente com a autonomia elétrica, a eletrificação deverá ser empregada para melhorar desempenho, respostas e eficiência.
A potência permanece desconhecida, mas deve superar com folga os 700 cv para colocar o modelo no mesmo território de Lamborghini Urus, Ferrari Purosangue, Aston Martin DBX707 e Porsche Cayenne Turbo. O desenvolvimento de dois novos motores e transmissões faz parte do pacote de investimentos anunciado pela McLaren.

A marca passará a projetar e fabricar internamente seus futuros conjuntos mecânicos, reduzindo a dependência de fornecedores. Apesar da associação recente com a fabricante de veículos elétricos Forseven, a McLaren afirma que não pretende lançar imediatamente um automóvel totalmente elétrico. Segundo a empresa, seus clientes ainda demonstram maior interesse por modelos híbridos.
Relatos de concessionários descrevem o P47 como um veículo musculoso, aerodinâmico e ligeiramente maior do que o Porsche Cayenne Turbo GT. O protótipo exibido reservadamente teria rodas de 24 polegadas, teto inclinado, grande aerofólio traseiro, difusor pronunciado e uma espécie de espinha central percorrendo a carroceria.
Embora tenha dimensões e espaço de SUV, a intenção será preservar características tradicionais da McLaren, como baixo peso, amplo uso de fibra de carbono e acerto voltado à condução esportiva. Esse será um dos maiores desafios do projeto: criar um veículo familiar sem transformá-lo simplesmente em mais um utilitário de luxo pesado e potente.
Cayenne abriu o caminho há mais de 20 anos
A decisão da McLaren repete uma mudança que já causou polêmica em outras fabricantes de carros esportivos. Quando a Porsche lançou o Cayenne, em 2002, parte dos entusiastas acusou a empresa de abandonar suas origens. O tempo mostrou justamente o contrário.
O SUV ampliou radicalmente a base de clientes e se transformou em uma das principais fontes de receita da Porsche. Em 2024, o Cayenne foi o automóvel mais vendido da marca em todo o mundo, com 102.889 unidades. Mesmo com uma queda no ano seguinte, ainda somou 80.886 entregas em 2025.
A Lamborghini seguiu a mesma estratégia com o Urus, apresentado em 2017. O chamado “super-SUV” levou a fabricante italiana a níveis de vendas antes considerados impossíveis para uma marca tão exclusiva. Em 2025, a Lamborghini entregou o recorde de 10.747 veículos, resultado impulsionado pela aceitação do Urus SE híbrido plug-in.
O SUV não substituiu os superesportivos da marca. Pelo contrário, passou a dividir espaço com Revuelto e Temerario e atraiu compradores que precisavam de mais espaço, quatro portas e versatilidade, mas não queriam abrir mão da imagem e do desempenho associados à Lamborghini.
Ferrari também se rendeu ao segmento
Até mesmo a Ferrari, que por muito tempo evitou chamar seu futuro modelo de SUV, acabou entrando nesse mercado com o Purosangue. Lançado com motor V12 aspirado de 6,5 litros, quatro portas e quatro lugares, o modelo procura manter uma ligação mais próxima com os tradicionais gran turismos da marca.
A McLaren era uma das últimas grandes fabricantes de supercarros sem um produto semelhante. Sua linha atual é formada por modelos de motor central, como Artura, 750S e o hipercarro W1. Essa concentração preserva a imagem esportiva, mas limita o público e deixa a empresa mais vulnerável às oscilações de um mercado de baixo volume.
SUV será peça importante na recuperação da McLaren
A chegada do novo modelo tem também uma motivação financeira. A McLaren Automotive atravessou anos de dificuldades, mudanças de controle e necessidade de novos aportes. A empresa foi adquirida pela CYVN Holdings, de Abu Dhabi, e posteriormente integrada à Forseven, abrindo uma nova fase de investimentos.
O grupo controlador planeja aplicar um total de 1,5 bilhão de libras na McLaren durante cinco anos. A primeira parcela de 500 milhões de libras será usada para ampliar a capacidade industrial, produzir motores e transmissões e diversificar o portfólio.