O Jetour T2 4x4 quer transformar seu visual de jipe em um argumento também fora do asfalto. Com carroceria quadrada, estepe na traseira e tração integral apoiada por um motor elétrico traseiro, o híbrido plug-in entra no universo dos SUVs que prometem conciliar rotina e aventura.

É um território que reúne propostas diferentes, do Jeep Wrangler ao Mitsubishi Outlander PHEV, passando por modelos como GWM Tank 300 e SUVs 4x4 de uso familiar. O AutoShow testou a versão XWD, de R$ 349.900, para descobrir como essa combinação funciona na prática.

O desenho é um dos primeiros motivos para olhar o T2. As linhas retas, o capô elevado e os volumes bem definidos remetem ao universo de Jeep e Land Rover. Na versão 4x4, entretanto, as mudanças visuais são discretas: rodas pretas, sem os detalhes verdes fluorescentes da configuração 4x2, e emblemas específicos identificam a novidade. A transformação mais importante está no conjunto mecânico.

Enquanto o Wrangler representa uma proposta dedicada ao fora de estrada e o Outlander PHEV aproxima eletrificação, tração integral e uso familiar, o T2 procura combinar esses interesses. Tem aparência aventureira, cabine equipada e recursos para enfrentar pisos difíceis. No teste, mostrou que há capacidade além do estilo, embora o motorista precise conhecer seus limites antes de escolher a trilha.

Na terra, a entrega de força impressiona. O SUV venceu os trechos percorridos sem apresentar perda de controle, e o gerenciamento da tração corrigiu rapidamente os momentos de menor aderência. A sensação é de que a eletrônica simplifica o trabalho do motorista, especialmente em subidas e passagens que exigem avanço mais cuidadoso.

Usamos os programas para lama e pedras, este último permitindo uma progressão lenta com a tração integral. Ao todo, são oito modos de condução, incluindo ajustes para areia e neve. O modo X administra automaticamente os parâmetros de tração conforme as condições do terreno. O acesso a essas funções é fácil, um ponto positivo para quem precisa mudar a configuração durante o percurso.

A carroceria, porém, estabelece limites. O T2 tem 205 mm de vão livre do solo, ângulo de ataque de 28 graus e de saída de 30 graus. Durante o teste, a parte dianteira raspou em alguns momentos, mostrando que a facilidade para tracionar não elimina a necessidade de avaliar obstáculos e escolher a trajetória. Nos trechos percorridos, houve força para subir e controle para descer, mas as aproximações exigiram cuidado.

As rodas de 20 polegadas usam pneus 255/55. Para quem pretende frequentar estradas de terra e trilhas, pneus adequados ao terreno podem ajudar na aderência e na resistência a danos. A escolha precisa considerar também o uso no asfalto, pois desenhos mais agressivos podem alterar ruído, consumo e comportamento nas frenagens.
O conjunto híbrido reúne motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv e três motores elétricos, com potências individuais de 102 cv, 122 cv e 238 cv, associados à transmissão 3-DHT. A Jetour divulga 597 cv de potência instalada, resultado da soma desses motores. Esse número, contudo, não corresponde à potência combinada disponível simultaneamente. A aceleração de zero a 100 km/h declarada é de 5,5 segundos.
Mais relevante do que a soma anunciada é a resposta ao acelerador. O T2 oferece força abundante tanto nas retomadas quanto no avanço em baixa velocidade. No asfalto, a entrada do motor a combustão é perceptível de maneira suave, sem comprometer o conforto. Na cidade, os modos de conforto e Eco ajudam a aproveitar a condução elétrica.
A bateria LFP de 43,2 kWh permitiu rodar cerca de 130 km em modo elétrico durante um dia de avaliação urbana. É um resultado obtido nas condições do teste, que pode variar conforme velocidade, relevo e uso do ar-condicionado. Segundo a fabricante, a recarga rápida de 30% a 80% leva 37 minutos. Há ainda função V2L para alimentar equipamentos externos, um recurso útil também em passeios e acampamentos.
O consumo observado surpreendeu diante dos 2.362 kg do SUV. A experiência indicou potencial para superar 1.000 km combinando combustível e eletricidade em uso predominantemente urbano, embora a autonomia total dependa das condições de circulação e da carga inicial da bateria.
Por dentro, o T2 oferece conforto para os deslocamentos até a aventura. São 4,785 metros de comprimento, incluindo a caixa do estepe, 2,006 metros de largura e 1,875 metro de altura, com entre-eixos de 2,80 metros. O espaço é generoso, assim como o porta-malas de 580 litros, ampliável para 1.494 litros com os bancos traseiros rebatidos.
Essas dimensões cobram atenção em garagens e passagens estreitas. Nem sempre é fácil perceber os limites da dianteira e da traseira, mas as câmeras com visualização de 540 graus e os sensores ajudam nas manobras.
A cabine tem painel digital de 10,25 polegadas, central de 15,6 polegadas, conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, carregador por indução de 50 W e som Sony. Teto panorâmico, climatização de duas zonas e bancos dianteiros ventilados, com ajustes elétricos e memória, reforçam o conforto. Na estrada, a suspensão absorve irregularidades, embora a carroceria apresente movimentação vertical perceptível em algumas situações.
O pacote de segurança inclui piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, assistente de faixa, monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Por R$ 349.900, o Jetour T2 4x4 demonstrou capacidade para enfrentar terra, subidas e pisos de baixa aderência com facilidade nos trechos avaliados. Seu principal argumento está na combinação de força elétrica, conforto e recursos de tração. Para quem procura um SUV familiar capaz de incluir aventuras na rotina, há conteúdo por trás da aparência. A ressalva está nas passagens mais exigentes: conhecer os limites da carroceria continua sendo tão importante quanto ter força nas quatro rodas.