O mercado de SUVs médios híbridos está mais disputado, com modelos como BYD Song Pro, Jaecoo 7 Elite e Geely EX5 EM-i buscando o consumidor que deseja dirigir no modo elétrico sem depender exclusivamente de uma tomada.

É nesse cenário que chega o Leapmotor B10 Ultra Híbrido, de R$ 179,9 mil, com uma diferença importante: suas rodas são movimentadas sempre pelo motor elétrico. O motor a gasolina funciona como gerador, responsável por produzir energia e ampliar a autonomia. O AutoShow testou a novidade por uma semana

A solução é conhecida pelas siglas EREV ou REEV, que identificam veículos elétricos com extensor de autonomia. Trata-se de uma arquitetura híbrida em série, diferente daquela utilizada por concorrentes nos quais o motor a combustão também pode participar diretamente da tração. Para o motorista, a proposta do B10 é preservar a resposta de um elétrico e oferecer a possibilidade de seguir viagem abastecendo com gasolina.

Ao longo de uma semana de avaliação, porém, o SUV mostrou que seu principal argumento vai além da configuração mecânica. Mais compacto que o C10, o B10 chega com suspensão mais bem acertada para o uso brasileiro, espelhamento sem fio para celulares e uma combinação competitiva de espaço, equipamentos e preço. São mudanças que corrigem pontos criticados no irmão maior, embora a concentração de comandos na tela ainda exija adaptação.

Um elétrico que também pode ser abastecido
O B10 utiliza um motor elétrico traseiro de 218 cv e 240 Nm de torque. O conjunto é alimentado por uma bateria de lítio-ferro-fosfato, conhecida pela sigla LFP, com capacidade de 18,8 kWh. Já o motor 1.5 a gasolina, de quatro cilindros, 16 válvulas e 88 cv, trabalha exclusivamente na geração de eletricidade.

Isso significa que as potências dos dois motores não devem ser somadas. Quem movimenta o SUV é o propulsor elétrico de 218 cv; o motor térmico fornece energia ao sistema, conforme a necessidade e o modo de funcionamento selecionado.

A autonomia elétrica informada é de 68 km, enquanto o alcance combinado anunciado chega a 900 km. A bateria aceita recarga em corrente alternada de até 6,6 kW ou em corrente contínua de até 46 kW.
Na rotina, essa configuração permite utilizar a tomada para os deslocamentos diários e recorrer à gasolina em viagens ou quando não houver um carregador disponível. A frequência de acionamento do gerador dependerá da carga da bateria, do percurso e da demanda de potência.
Mais acertado que o C10
Ao volante, o funcionamento é suave e a entrega de potência acontece de maneira linear. Os 218 cv são suficientes para movimentar o B10 com desenvoltura, mas é a resposta imediata do motor elétrico que mais contribui para a sensação de agilidade.
A tração traseira também ajuda a tornar a condução agradável. O SUV responde prontamente ao acelerador e oferece uma experiência próxima à de um elétrico convencional, mesmo contando com o motor a gasolina para estender o alcance.
O avanço mais perceptível em relação ao C10 está na suspensão. O B10 mantém o foco no conforto, mas apresenta movimentos de carroceria mais contidos e transmite menos aquela sensação de flutuação observada no modelo maior. O resultado é um carro agradável tanto no trânsito quanto em percursos rodoviários.
A proposta combina com o uso familiar: respostas suaves, bom aproveitamento do espaço e uma calibração que favorece o conforto. A autonomia anunciada de 900 km, entretanto, deve ser entendida como referência da fabricante, já que o alcance varia conforme as condições de utilização.
Porte menor, espaço bem aproveitado
O B10 mede 4,53 metros de comprimento, 1,88 m de largura e 1,65 m de altura, com entre-eixos de 2,73 m. É menor que o C10, mas acomoda bem uma família, com espaço satisfatório também no banco traseiro.
O porta-malas tem capacidade declarada de 350 litros pelo critério NET e pode chegar a 1.419 litros com os bancos rebatidos. A tampa conta com abertura elétrica, uma conveniência bem-vinda nessa faixa de preço.
O acabamento reúne superfícies macias ao toque e bancos com revestimento de sete camadas, descrito pela marca como antialérgico. A apresentação é limpa, com poucos comandos físicos e forte concentração de funções na central multimídia.
Há ajustes elétricos em seis posições para o motorista e quatro para o passageiro dianteiro, além de apoio de braço traseiro, retrovisores com rebatimento elétrico e iluminação interna configurável.
Conectividade melhora, mas faltam atalhos
A central de 14,6 polegadas traz espelhamento sem fio para celulares, uma ausência importante no C10 avaliado anteriormente. O sistema também permite atualizações remotas e a programação de rotinas envolvendo climatização, iluminação, modos de condução e posição dos bancos.
A qualidade das imagens das câmeras merece destaque, assim como as possibilidades de personalização. O aplicativo permite acessar funções como localização do veículo, controle da temperatura e acionamento dos vidros.
Por outro lado, reunir tantos ajustes na tela exige que o motorista desvie o olhar para executar tarefas que poderiam ter acesso mais direto. É uma solução visualmente limpa, mas que cobra familiaridade no uso diário. Uma chave presencial convencional também faria diferença na praticidade a bordo.
No pacote de assistência à condução estão controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego traseiro. O SUV oferece ainda sete airbags e chamada de emergência.
Preço coloca o B10 na disputa
Por fora, o desenho segue a identidade discreta da Leapmotor, com iluminação dianteira e traseira interligada, superfícies limpas e maçanetas embutidas. A entrada de ar dianteira mais aberta diferencia a configuração com extensor de autonomia da elétrica.
O B10 chega em versão única por R$ 179,9 mil, posicionando-se na disputa com SUVs como BYD Song Pro, Jaecoo 7 Elite, Caoa Changan CS55 e Geely EX5 EM-i Pro, conforme a versão e as condições comerciais.
A garantia anunciada é de seis anos. Segundo a Stellantis, as revisões programadas até 60 mil quilômetros somam R$ 5.310. A rede também oferece, por R$ 699, um adaptador V2L, que permite utilizar a energia do veículo para alimentar equipamentos externos.
O Leapmotor B10 encontra espaço nessa categoria ao combinar condução elétrica, possibilidade de abastecimento e uma lista abrangente de equipamentos. A suspensão mais equilibrada e a chegada do espelhamento sem fio mostram uma evolução em relação ao C10. Ainda faltam soluções mais simples para alguns comandos e para o acesso ao carro, mas o conjunto faz do B10 uma alternativa competitiva para quem procura um SUV médio eletrificado na faixa dos R$ 180 mil.