Poucos veículos carregam uma história tão forte quanto a Kombi. Produzida pela Volkswagen desde 1950, a Type 2 se tornou um dos utilitários mais conhecidos do mundo, sendo utilizada para transporte de passageiros, cargas e até em expedições pelos cinco continentes.

No Brasil, sua trajetória começou em 1953 com a importação das primeiras unidades e ganhou um capítulo definitivo em 1957, quando passou a ser fabricada na planta Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), tornando-se o primeiro modelo produzido pela Volkswagen fora da Alemanha.

Mais de sete décadas depois, esse legado segue vivo no Volkswagen ID. Buzz. Lançada globalmente em 2022 sobre a plataforma elétrica MEB, a van resgata elementos clássicos da Kombi original, como o desenho em dois tons, a dianteira curta, o amplo espaço interno e a posição de dirigir elevada, mas substitui o tradicional motor traseiro a combustão por um conjunto totalmente elétrico.

Agora, o modelo escreve um novo capítulo dessa história. Há exatamente um ano, o explorador alemão Rainer Zietlow, detentor de oito recordes homologados pelo Guinness World Records, iniciou uma volta ao mundo utilizando um ID. Buzz praticamente original.

Nesta semana, a expedição passou pelo Brasil e fez uma parada simbólica justamente na fábrica Anchieta, onde a história da Kombi nacional começou.

Mais de 80 mil quilômetros em cinco continentes
A jornada teve início em julho de 2025 na sede da Volkswagen Veículos Comerciais, em Hannover, na Alemanha. Desde então, Zietlow e sua equipe já percorreram mais de 80 mil quilômetros, cruzaram cinco continentes e passaram por mais de 78 países, interrompendo a viagem apenas para travessias marítimas e procedimentos alfandegários.

O objetivo da expedição é demonstrar, na prática, que um veículo elétrico de produção em série pode realizar viagens de longa distância em diferentes regiões do planeta, mesmo enfrentando países com infraestrutura de recarga bastante distinta.
Van elétrica mantém configuração de fábrica
Apesar da longa viagem, o ID. Buzz utilizado por Zietlow permanece muito próximo da configuração oferecida aos consumidores.
O modelo utiliza a bateria de 86 kWh, suficiente para proporcionar autonomia superior a 400 quilômetros por recarga no ciclo europeu. O motor elétrico traseiro entrega 286 cv e cerca de 57 kgfm de torque, sempre associado à tração traseira.
A única modificação significativa foi a instalação de um carregador adicional capaz de converter corrente alternada (AC) em corrente contínua (DC), permitindo recargas em locais onde não existem carregadores rápidos compatíveis ou onde os padrões elétricos diferem dos adotados na Europa.
Segundo o explorador, essa solução foi fundamental para atravessar regiões remotas da Ásia, América Latina e outros mercados onde a infraestrutura para veículos elétricos ainda está em desenvolvimento.
Passagem pelo Brasil marca fim da etapa sul-americana
O Brasil representou a última parada da expedição na América do Sul.
Depois de entrar no continente pela Guatemala, o roteiro passou por El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai antes de cruzar a fronteira brasileira por Foz do Iguaçu.
Já em território nacional, o explorador percorreu o trecho entre Foz do Iguaçu, Curitiba, Itajaí e São Bernardo do Campo, onde apresentou a expedição na Garagem Volkswagen, instalada dentro da fábrica Anchieta.
A escolha da unidade não foi por acaso. Além de ser a primeira fábrica da Volkswagen fora da Alemanha, o complexo produziu a Kombi durante mais de cinco décadas e se tornou um dos maiores símbolos da presença da marca no Brasil.
Próximo destino será a África
Encerrada a etapa brasileira, o ID. Buzz será embarcado no Porto de Santos com destino ao norte da África. A viagem continuará pelo continente africano e pelo Oriente Médio antes de retornar à Europa para concluir oficialmente a volta ao mundo.
A expedição também reforça a transformação vivida pela própria Volkswagen. Se durante décadas a Kombi se tornou um ícone da mobilidade movida a motores boxer refrigerados a ar, hoje o ID. Buzz representa a interpretação moderna desse conceito, utilizando uma plataforma totalmente elétrica sem abrir mão da proposta de versatilidade que marcou gerações.
Mais do que uma ação promocional da fabricante, a viagem mostra que a eletrificação já permite percursos intercontinentais com um veículo de produção em série, desde que exista planejamento das rotas e disponibilidade mínima de pontos de recarga ao longo do caminho.