A MG Motor prepara uma nova etapa de sua operação brasileira com a chegada da IM Motors, divisão de veículos elétricos de luxo do grupo chinês SAIC. A nova marca será lançada oficialmente no país em outubro e terá como primeiro produto o IM6, SUV de grande porte que combina desenho aerodinâmico, elevado desempenho e tecnologias avançadas de conectividade e assistência à condução.

A estreia ocorre menos de um ano depois do início oficial das vendas da MG no Brasil, em novembro de 2025. Desde então, a fabricante afirma ter investido cerca de R$ 60 milhões na estrutura da operação e ampliado rapidamente sua presença nacional. Atualmente, são 24 concessionárias distribuídas por todas as regiões, com previsão de chegar a 38 grupos parceiros e 70 pontos de venda até o fim de 2026.

“Uma marca que começou em novembro do ano passado já está presente em todas as regiões. Temos 24 concessionárias e chegaremos a 38 grupos e 70 pontos de venda até o final do ano”, afirmou Frederico Geraldino, diretor de desenvolvimento de rede da MG Motor.

De esportivos britânicos à eletrificação chinesa
A trajetória da MG começou na Inglaterra em 1924, quando a Morris Garages passou a desenvolver automóveis esportivos derivados de modelos da Morris. A marca ganhou projeção internacional ao oferecer carros leves, compactos e divertidos de dirigir, fórmula que ajudou a transformar as duas letras do seu emblema em um dos símbolos mais reconhecidos da indústria britânica.

Entre os modelos que marcaram essa história estão os roadsters das famílias MG T, MGA e MGB. O MG TD, lançado em 1949, tornou-se especialmente popular fora do Reino Unido e ajudou a fortalecer a presença dos esportivos britânicos nos Estados Unidos. Já o MGB, apresentado em 1962, permaneceu em produção por quase duas décadas e se tornou um dos automóveis mais conhecidos da marca.

A MG passou posteriormente pelo controle de conglomerados como British Motor Corporation, British Leyland e Rover Group. Após o colapso da MG Rover, em 2005, seus ativos foram comprados pela chinesa Nanjing Automobile por 53 milhões de libras. Dois anos depois, a Nanjing foi incorporada pela SAIC Motor, transferindo definitivamente a MG para o grupo sediado em Xangai. SAIC Motor

Sob o comando da SAIC, a MG deixou de atuar apenas como fabricante de esportivos para se transformar em uma marca global generalista. Seu portfólio passou a incluir hatches, sedãs, SUVs, híbridos e elétricos. A tradição esportiva, porém, continua representada por produtos como o conversível elétrico Cyberster, um dos primeiros modelos trazidos ao Brasil.
SAIC supera 100 milhões de veículos

A força financeira e industrial por trás da expansão da MG vem da SAIC Motor. O grupo controla ou participa de marcas como MG, IM, Roewe, Maxus, Wuling e Baojun, além de manter joint ventures históricas com Volkswagen e General Motors na China.

Em maio de 2026, a SAIC tornou-se o primeiro grupo automotivo chinês a superar a marca de 100 milhões de veículos produzidos e vendidos ao longo de sua história. Somente no primeiro semestre de 2026 foram comercializados 2,045 milhões de veículos, resultado que colocou a empresa na liderança do mercado chinês durante o período. Desse total, 1,469 milhão de unidades correspondeu às marcas próprias do conglomerado. SAIC Motor
O grupo mantém operações em mais de 170 países e utiliza a MG como sua principal marca internacional. A chegada da IM ao Brasil amplia essa estratégia ao adicionar uma divisão posicionada acima da MG em tecnologia, acabamento, desempenho e preço.
IM nasceu da união entre indústria e tecnologia
A IM Motors foi fundada em dezembro de 2020 como uma joint venture entre a SAIC, o grupo de tecnologia e comércio eletrônico Alibaba e a Zhangjiang Hi-Tech, ligada ao polo tecnológico de Xangai. A sigla significa “Intelligence in Motion”, ou “Inteligência em Movimento”.
Criada para disputar o mercado de veículos elétricos premium, a IM concentra algumas das tecnologias mais avançadas da SAIC, especialmente nas áreas de software, inteligência artificial, baterias, conectividade e condução semiautônoma. A marca também trabalha com empresas como CATL, Momenta e QingTao Energy no desenvolvimento de baterias e sistemas inteligentes.
O primeiro produto de produção foi o sedã elétrico L7, seguido pelos SUVs LS7 e LS6 e pelo sedã L6. Mais recentemente, o portfólio passou a incluir modelos elétricos de autonomia estendida, nos quais um motor a combustão trabalha como gerador de energia. Atualmente, a gama reúne seis sedãs e SUVs de médio e grande porte.
A parceria tecnológica ganhou relevância internacional em 2023, quando a Audi anunciou um acordo com a SAIC para aproveitar a plataforma elétrica desenvolvida pela IM em futuros veículos destinados ao mercado chinês.
IM6 será o primeiro modelo no Brasil
O primeiro carro da IM confirmado para o mercado brasileiro será o IM6. O modelo é chamado de LS6 na China, mas recebeu uma nomenclatura simplificada em mercados internacionais. Trata-se de um SUV elétrico de grande porte com carroceria de linhas arredondadas, teto em formato cupê e coeficiente aerodinâmico reduzido.
A MG ainda não confirmou qual configuração será comercializada no Brasil. Em outros países, o IM6 é oferecido em uma versão com motor elétrico traseiro de aproximadamente 340 cv e 45,9 kgfm de torque. A opção Performance acrescenta um segundo motor para oferecer tração integral e potência próxima de 760 cv, com aceleração de zero a 100 km/h em cerca de 3,5 segundos.
A gama internacional também oferece duas configurações principais de bateria. A primeira possui 75 kWh, arquitetura elétrica de 400 volts, autonomia de até 450 quilômetros pelo ciclo WLTP e aceita recarga rápida em corrente contínua de até 153 kW.
A configuração mais avançada utiliza bateria de 100 kWh, dos quais 96,5 kWh são aproveitáveis, e arquitetura de 800 volts. Nesse caso, a autonomia pode chegar a 555 quilômetros no ciclo WLTP e a potência de recarga alcança 396 kW, desde que o veículo seja conectado a um carregador compatível.
O pacote tecnológico inclui cockpit digital, comandos inteligentes, vidros laminados com isolamento acústico e um conjunto ADAS com diferentes funções de auxílio ao motorista. Dependendo da versão, o IM6 também pode receber suspensão a ar, controle eletrônico contínuo dos amortecedores, eixo traseiro direcional e sistemas automatizados de estacionamento.
Produção brasileira começa em novembro
A chegada da IM será acompanhada pela nacionalização da MG. A produção brasileira deve começar em novembro de 2026 no Ceará, por meio de uma parceria industrial com a Comexport. O projeto permitirá à empresa iniciar a montagem local enquanto amplia a rede de concessionárias e o volume de vendas.
A MG ainda deverá detalhar quais modelos serão montados inicialmente, o índice de nacionalização e a capacidade anual da operação. A estratégia, entretanto, mostra que a fabricante pretende construir uma presença de longo prazo no país.
Com a IM, o grupo passará a atuar em duas faixas distintas: a MG continuará concentrada em veículos generalistas, elétricos e eletrificados, enquanto a nova marca ocupará o segmento premium. O IM6 será o primeiro passo dessa expansão e terá a missão de apresentar ao consumidor brasileiro a divisão mais tecnológica da SAIC.