A Chevrolet ampliou a lista de equipamentos do Tracker na linha 2027.

Depois da atualização visual e de cabine apresentada na linha 2026, o SUV passa por um reposicionamento das versões, recebe novos recursos do pacote Chevrolet Intelligent Driving e acrescenta a cor Cinza Âmbar. As mudanças também ajudam a diferenciar o modelo do Sonic dentro da gama da marca.

O Autoshow testou o Tracker Premier 1.2 turbo durante uma semana. A configuração combina o motor mais potente da linha com acabamento bicolor, teto solar panorâmico e equipamentos voltados ao conforto. Na prática, desempenho, consumo e conectividade continuam entre seus principais argumentos, embora o pacote de assistência ao motorista ainda tenha uma ausência: o controle de cruzeiro adaptativo.

Mais equipamentos na linha 2027
A atualização amplia a atuação da frenagem automática de emergência e do alerta de colisão frontal, que passam a reconhecer pedestres e ciclistas, além de veículos, desde a versão LT.

A partir da LTZ, o Tracker também recebe assistente de permanência em faixa. Segundo a Chevrolet, a nova câmera tem área de captação 40% maior, ampliando a leitura do entorno para o funcionamento dos sistemas de assistência.

Na Premier, esses recursos se somam ao estacionamento automático Easy Park, sensores dianteiros, laterais e traseiros, retrovisor interno eletrocrômico, sensor de chuva, carregador de celular por indução e faróis de neblina em LED. O teto solar panorâmico tem abertura elétrica, enquanto o porta-malas conta com piso ajustável em dois níveis.
A proposta da Premier é diferente da RS, que aposta em elementos escurecidos e acabamento de apelo esportivo. Na versão avaliada, a Chevrolet privilegia uma apresentação mais convencional, com rodas de liga leve de 17 polegadas e cabine bicolor.

Motor 1.2 turbo é um dos argumentos
O Tracker Premier utiliza o motor 1.2 turbo CSS Prime, com injeção direta de combustível, até 141 cv e 22,9 kgfm de torque, associado ao câmbio automático de seis marchas.
A atualização do conjunto fez diferença no uso diário. O SUV responde bem ao acelerador, ganha velocidade sem exigir esforço constante do motor e oferece disposição nas retomadas. O torque também ajuda nas ultrapassagens e quando o carro está carregado.
O câmbio de seis marchas acompanha essa proposta, com funcionamento adequado tanto no trânsito quanto na estrada. O conjunto entrega desempenho compatível com a categoria, embora o ruído do motor de três cilindros apareça com mais intensidade nas acelerações.
Durante nosso teste, o Tracker registrou médias próximas de 11 km/l na cidade e 14,5 km/l na estrada. São resultados observados no percurso da avaliação, sujeitos a variações conforme trânsito, combustível, carga e estilo de condução.
Espaço e porta-malas
O Tracker mede aproximadamente 4,30 metros de comprimento, 1,79 metro de largura e 1,62 metro de altura, com entre-eixos de 2,57 metros. A cabine acomoda bem os passageiros dentro da proposta de um SUV compacto, com espaço adequado para o uso familiar.
O porta-malas oferece 393 litros. Embora não seja o maior da categoria, o formato facilita a acomodação de bagagens. O piso pode ser colocado em duas alturas, permitindo dividir o compartimento e guardar objetos menores na parte inferior.
Essa solução acrescenta versatilidade ao uso cotidiano, sobretudo para quem precisa organizar compras, mochilas e outros volumes sem deixá-los espalhados pelo porta-malas.
Painel e conectividade
A cabine atualizada na linha 2026 continua sendo um dos pontos favoráveis do Tracker. O painel digital e a central multimídia seguem a linguagem adotada em outros modelos da Chevrolet, com uma disposição proporcional ao interior do SUV.
A central oferece integração sem fio com smartphones, enquanto o Wi-Fi embarcado permite conectar até cinco dispositivos, mediante contratação do serviço. O carregador por indução complementa o conjunto e reduz a necessidade de cabos no console.
O acabamento bicolor ajuda a diferenciar a Premier das demais configurações, mas o principal avanço está na apresentação do painel e na facilidade de acesso aos recursos de conectividade.
Segurança melhora, mas falta ACC
O pacote Chevrolet Intelligent Driving amplia os recursos de assistência do Tracker. A detecção de pedestres e ciclistas e o assistente de permanência em faixa são adições relevantes, especialmente no trânsito urbano e em viagens.
Ainda assim, a Premier segue sem controle de cruzeiro adaptativo, o ACC, que ajusta automaticamente a velocidade para manter distância do veículo à frente. É uma ausência que pesa em um SUV com preço de tabela próximo de R$ 190 mil e que enfrenta concorrentes com esse equipamento.
A câmera com campo de visão ampliado melhora a capacidade de leitura dos sistemas de assistência. Isso, porém, não substitui a atenção do motorista nem acrescenta ao carro a função de acompanhar automaticamente o ritmo do trânsito.
Preço de tabela e valor nas lojas
Durante a avaliação, encontramos ofertas próximas de R$ 170 mil para configurações semelhantes à unidade testada, abaixo da faixa de R$ 190 mil de tabela. Essa diferença influencia a análise de custo-benefício, embora as condições dependam da concessionária, do estoque e da modalidade de compra.
Depois de uma semana ao volante, o Tracker Premier 1.2 mostrou que conserva argumentos para disputar espaço entre os SUVs compactos. O motor responde bem, o consumo observado foi favorável e a cabine oferece conectividade e soluções práticas para o uso familiar.
A linha 2027 melhora o pacote de segurança e ajuda a reposicionar o Tracker diante do Sonic. Para a Premier, porém, a inclusão do ACC faria diferença: o SUV avançou em equipamentos, mas ainda deixa essa lacuna em uma faixa de preço na qual a concorrência cobra cada vez mais conteúdo.